terça-feira, 8 de agosto de 2017

Eu precisava escrever o poema



Era primavera, mas aquela árvore já jogava em minha cara as folhas secas que caiam. 
Métrica e rima não harmonizavam com as palavras duras
 que vi sairem de minha boca
e eu precisava tanto escrever aquele poema! 
Caminhos em curva me faziam perder-me nas tangentes. 
A lógica da vida não poderia ser enquadrada no absoluto abstrato de minh'alma. 
E eu precisava tanto de escrever aquele poema!
Sem as letras certas, sem modelos e com sintaxe truncada, procurava o sol, 
onde apenas o frio da noite se oferecia. 
Ninhos vazios no alto das árvores
 já abduzidos por formigas 
e transformados em celeiros de alimento forte. 
Minhas pegadas desenhando tristes notas musicais no chão de terra batida. 
Os olhos tentando piscar em meio à tempestade de areia. 
Enfim, rodopiando, comecei a ler o que havia escrito sem que me desse conta. 
A poesia me embalava.
O poema estava pronto.

Imagem: Ângela Márcia dos santos
Texto: Maria Emilia Algebaile
Rodada 77

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